segunda-feira, 16 de julho de 2012

Mas não é verdade



Mas não é verdade, Hilda, não é verdade que as pessoas se repitam. O que se repetem são as situações, inúmeras vezes — e você sabe que qualquer situação que nos acontece é por nossa culpa. Principalmente quando ela se repete muitas vezes. Tudo o que acontece à gente é uma mera conseqüência daquilo que se fez. 

(Caio Fernando Abreu, carta a Hilda Hilst)

A solução


A  solução, concordo, não está na temperança. Nunca esteve nem-vai estar. Sempre achei que os dois tipos mais fascinantes de pessoas são as putas e os santos, e ambos são inteiramente  destemperados,  certo?  Não  há  que  abster-se:  há  que  comer  desse banquete. 

(Caio Fernando Abreu, carta a José Márcio Penido)

Há algo




Há algo na sua essência que me agrada, me acalma, e me diverte!

Caio F. Abreu

domingo, 15 de julho de 2012

E não sei o que dizer, Zézinho


E não sei o que dizer, Zézinho, não tô bem. Isso é uma coisa que eu posso dizer, tendo certeza dela. Mas é também uma coisa pela qual você não pode fazer nada, e de pouco adianta eu dizer. Ô, Zé, ando tão desorientado, já faz tempo. E me escondo, e não procuro ninguém, e fico mastigando a minha desorientação.

Caio F. Abreu

Talvez


Talvez, afinal, eu devesse parar de bancar o durão e começasse a aprender a: receber cuidados.

Caio F. Abreu

Lama da vida



Amo tudo que afunda a cara na lama da vida crua e consegue arrancar o belo desse mergulho.

Caio F. Abreu

sábado, 2 de julho de 2011

Talvez sim, talvez não


“Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas. Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez, ele volte. Ou não.

Caio F. Abreu.
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